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Cuidar de Si

A liberdade para todos os yogi(ni)s são a mesma? Há um Ser em mim perfeito ou Eu sou um processo em transformação?
Baseado em 11 avaliações
Prof.dr. Roberto Simões
  • 4 horas de carga horária
  • 46 alunos
  • 11 aulas
  • 2 módulos
  • Última atualização 13/06/2023
  • Certificado de conclusão de curso

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Sobre o Curso

Cuidar de Si, Ascese e Liberdade ao Yogi Livre-Pensador

Por Roberto Simões

            


Introdução

            Este ensaio visa ser bem mais prático do que a maioria dos meus textos são – em geral tento manter certo rigor científico (mesmo que não consiga sempre). Entretanto, não confunda certo despachamento no linguajar com falta de seriedade sobre o assunto que trato tanto em podcast, blog ou vídeo-aulas. Isto pois tenho buscado ventilar minhas observações científicas para o grande público e não apenas aos meus pares da academia – no que realizo em artigos para revistas do meio científico e nunca em mídias sociais ou no meu site. Em poucas palavras, me esmero muito atingir a você, simpatizante, amante do yoga com mente aberta e não-dogmática: professores de yoga e praticantes sobretudo. Venho, ao longo dos meus anos como cientista da religião, me comportando, dito isto, muito mais como divulgador das ciências humanas do que biológicas – minha origem nas ciência; ou seja, o objeto de estudo yoga, em minhas mãos se debruça sobre os estudos da antropologia, sociologia, política, economia, religião/espiritualidade e, claro, da biologia.

            E aqui entra o cuidar de si, a ascese e a liberdade do título do texto que lê/ouve agora. O yoga, se possui uma “essência” (palavra que não me apetece muito), é possibilitar aos seus aprenderem a retomar o processo criativo de suas vidas. Abandonar a replicação de modelos yoguicos e encontrar o seu, mesmo que seja sendo discípulo de outro yogue, mas atento aos problemas reais da sua vida e parar de buscar/peregrinar a um estado/mundo/geografia yoguica ideal.  

            E o que é essa retomada do processo criativo da vida? Em termos práticos é viver a vida vivida com todas as suas dores, sofrimentos, alegrias, tesões, angústias sem fugitivas ou escapadelas na espera(nça) de alcançar um mundo imaginário, seja kaivalya, o céu cristão, o nosso lar espírita ou nirvana e muitos outros – depois de cumprido, é óbvio, todas as tarefas diárias e graus iniciatórios determinados por um “superior” ou qualquer outro grau de distinção entre você e este. E este é o ponto de todas as minhas falas desde o início da abertura deste canal e das minhas pesquisas científicas: uma batalha contra todas e quaisquer iniciativas demarcatória distintiva entre os seres humanos. E quando escrevo isso não estou sendo irônico, jocoso, cínico ou desrespeitoso com crenças e idealizações alheias. Não, a questão centra-se aqui em compreender-se seguindo o caminho (espiritual?) de outrem em contrapartida a coragem em erigir a sua própria estrada, sadhana, trilha – ou qualquer outra metáfora que desejar assumir. 

            Em uma palavra, yoga é liberdade! E isso exige: (1) Desapego: às suas crenças, verdades absolutistas, distinções quaisquer que sejam; (2) Compaixão: o desenvolvimento de maior sensibilidade ao Outro sobretudo, o que elimina por si só, posições sociais, políticas e religiosas extremistas, aversivas e de aniquilamento; (3) Coragem frente a vida: o que exige enfrentar e amar o agora, a sua existência como ela está neste momento – não como gostaria ou foi); (4) Simplicidade: desafazer-se (ou compreender que elas existem) da falsa identidade que carregamos (nossas máscaras); a vida vivida com uma certa ingenuidade da criança.

            E para que esses aspectos se tornem um habitus, pois é adquirido e nenhum deles a piori, é muito importante (1) saber cuidar de si-mesmo; desenvolver momentos de (2) ascese, solidão e solitude; para alcançar a (3) liberdade que o yoga/yogue visa viver. Por isso, neste ensaio buscarei desenvolver mais esses conceitos par que a vida yogue deixe de ser compreendida apenas como um treino, mas faça-se valer no jogo da vida vivida.

O Yoga treinado e o Yoga vivido

            O yoga/meditação praticado(a) segundas, quartas e sextas das 19-20h é treino. A percepção (quando a sensação vem à sua consciência) de que estamos ansiosos na espera para ser atendido na fila do banco é yoga/meditação vivida. O descontrole nesta mesma ocasião é sinal nítido que o treino está surtindo o efeito desejado, sacou o rolê? Se as suas práticas de yoga não estão conseguindo tornar você uma pessoa que não “estoura” sempre que “não se dá bem”, afetuosa, compassiva, corajosa pra enfrentar seus desafios e simples para se alegrar com um sorriso de criança, você talvez esteja se esforçando demais nos treinos yoguicos do que com o yoga vivido da vida diária. Dito mais simples, o yoga é para vida e não para o retiro nas montanhas, no ashram indiano, em cima de um tapete de borracha ou em fotos narcísicas para o instagram. Assim como um budista não é quem raspa o cabelo, desenvolve fala mansa, decora alguns preceitos e medita todos os dias as 4:30 da manhã, graus de flexibilidade, horas de meditação sentada, fluência em sânscrito e diplomas não o fazem um yogue. O que faz um yogue é o seu jeito em viver!

            Sim, estou lhe conduzindo pela mão ao longo deste texto como um professor com licenciatura plena aprende a fazer. O meu intento (sempre foi esse) está em desformar pré-conceitos (estereótipos) em que alunos/praticantes/yogues/professores/mestres replicam de seus “modelos ioguicos” – sim, estou sendo redundante mas é pedagógico. Não há modelo a seguir no yoga, há, pelo contrário, ferramentas que lhe auxiliarão a erigir (aos poucos, com muita prudência) o seu jeito de viver. Sim, mais uma vez, somos singulares por isso a sua vida é única e saber como melhor aproveitá-la exige (vem comigo aqui, não se perde) atenção plena – não para “não errar”, isso é inevitável – para aprender a viver no fluxo da vida. A maioria de nós, pois fomos ensinados assim por nossa sociedade, a buscar felicidade e fugir dos fracassos. E pior, aprendemos que ganha quem merece (ou está preparado!); é o princípio da meritocracia. Você se sente culpado – loser – por não ter tantos seguidores, alunos dinheiro, carro e aí não vou me alongar... 

            Essas percepções (culpa, feliz, perdedor e etc) - de novo, as sensações que você tem consciência, pois há muitas outras (sensações/fluxos) que se movem abaixo dela, por isso inconscientes, mas que ainda sim, direcionam seu agir: seu jeito de viver – são construídas socialmente. E o yoga é um fenômeno social, ou seja está inserido na sociedade - antigamente na indiana, hoje, no mundo -, também promove esperanças, motivações, culpas, felicidades, diminuição de estresse e quantas outras não listadas aqui e que ainda virão. Então entenda, o yoga não deseja (nunca teve esse intento) eliminar ilusões (lit. maya), mas estimular criações (lit. lila) a partir do fim (aí sim) da ignorância (lit. avidya). Mas para dar cabo de minha ignorância, eu preciso submergi-la das profundezas inconscientes e, para isso, entrar em contato com as minhas tristezas e alegrias também, é claro. Esse conhecimento do meu espírito, o meu ser (não como algo imaculado, perene que “perdi contato”, mas como algo em devir, em transformação, em construção e desconstrução sempre), exige o desenvolvimento – sempre gradual, prudente – de um certo discernimento espiritual (lit. viveka).

                É possível viver fora da servidão humana? Há um Ser em mim? Como estabelecer uma ascese/prática que aumente minha alegria? EM suma, o cerne deste curso é aprendermos a retomar o processo criativo da vida.

Público alvo

O curso se destina a todos interessados em compreender o yoga/meditação como uma Filosofia em Aberto, indo além de técnicas.

Conteúdo

1Cuidar de Si, Ascese e Liberdade

  • Aula 1: Introdução

    18:01
  • Aula 2: Ilusão, Criação e Intuição

    24:19
  • Aula 3: Cuidar, Ascese e Liberdade

    21:44
  • Aula 4: Yogi(ni)s Nômades

    24:54
  • Aula 5: Potência de Alegria

    26:15
  • Aula 6: Liberdade

    24:47

2Ouça Mais

  • Aula 1: Introdução

  • Aula 2: Somos Fluxos

  • Aula 3: Ascetismo

  • Aula 4: Alegrias e Tristezas

  • Aula 5: Criação de Si-Mesmo

Acesso por 6 meses

Estude quando e onde quiser

Avaliações

Opinião dos alunos que se matricularam
5.0

11 avaliações

Temática interessante. Me abriu os olhos para as um pensar mais amplo sobre o que seria cuidar de si. Adorei as interlocuções que trazem a noção de fluxos, encontros, nomadismo... adoraNDO. Obrigada, professor.

Vanessa Ferraz Leite

reflexões muito maneiras...obrigado, professor!

ODIVAN BUKALOWSKI

Adorei o curso, muitos insights!

Juliana ferraro Santos

Juliana ferraro Santos

Cláudia Amaral de Melo cruz

muito grata pelas aulas.

claudia pereira maia

claudia pereira maia

Como você mesmo diz, somos atravessados o tempo todo e certamente fui impactada pelo seu modo de encarar o Yoga!

Milena Abambres

Curso incrivelmente libertador!

Ellen de Oliveira Albuquerque

Ellen de Oliveira Albuquerque

EMILIE ROUSSILLE

Muito massa, Beto! cuidar de si é algo contínuo, se conhecer, se transformar, (re)criar-se com as habilidades q vai adquirindo no caminhar.

Ana Pereira González

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